Catarina estava na fila de um supermercado que ela não costumava ir, mas ela precisava comprar algumas coisinhas com urgência para ir à casa de sua irmã e aquele era o mais próximo que havia encontrado.
De repente, ela sentiu alguém tocar-lhe o ombro:
– Catarina?
– Rodrigo! – Levou um susto por ver quem estava lhe chamando – Não acredito que é você!
Ele apenas sorriu.
– Como você me reconheceu? – Perguntou Catarina muito surpresa
– Por causa dessas suas características físicas inconfundíveis – Rodrigo apontou para o rosto e ombro de Catarina.
Catarina sorriu e ficou envergonhada.
– Eu sempre imaginei te encontrar, mas não de uma forma tão inusitada. E, na verdade, quem me encontrou foi você! – Disse Catarina sorrindo.
Os dois riram muito e trocaram outras poucas palavras.
– Catarina, me dá o seu número do celular. Ficarei no Rio por dois dias e adoraria tomar um chope contigo em algum lugar legal da cidade para conversarmos mais. Você topa? Agora estou com um pouco de pressa.
– Sim, claro! – Catarina Respondeu rapidamente.
No espaço de tempo dessas duas curtas palavras, milhões de pensamentos atravessaram seus neurônios, ela sentiu-se até um pouco tonta. Pensou nas roupas que tinha no armário, que lugar eles poderiam ir, tentou lembrar se tinha algum outro compromisso. E, principalmente, se perguntou: “por que será que ele se interessou em sair comigo, se a gente só se conhece através do mundo virtual?”
Eles se despediram ali mesmo. Ela percebeu que Rodrigo ficou também sem jeito em dar tchau.
O dia inteiro Catarina passou nas nuvens, não conseguindo prestar atenção em nada que lhe acontecia, somente na incrível ocasião. Ela tinha um segredo em relação a essa “coincidência”, mas ela queria pensar muito sobre o assunto, porque, além de ela não conseguir assimilar, ela não entendia que poder era esse que ela tinha.
No dia seguinte, Rodrigo ligou para ela. Catarina vê o número e já percebe que não conseguiria ser natural para atender o celular:
– Alô – uma voz trêmula e ao mesmo tempo o mais sexy que pôde.
– Catarina, é o Rodrigo, tudo bem?
– Tudo bem e você?
– Estou ótimo! Melhor agora – Ela pensou que era uma resposta muito brega, poderia ter ficado sem essa, mas ele podia, afinal, era o Rodrigo.
– Então, estou ligando pra saber se podemos nos encontrar hoje, mais tarde.
– Ah, sim, claro. Estava contando que fosse me ligar hoje mesmo.
– O que você acha daquela choperia nova que abriu na lapa?
– Sim! Já fui lá e é bem legal.
Eles combinaram o horário que não era muito mais tarde que aquele exato momento.
Catarina que não era boba, já tinha separado a melhor roupa “casual” que ela tinha no armário e foi só o tempo de ela tomar um bom banho, se maquiar e dar um jeitinho no cabelo. Estava ela pronta!
A caminho do lugar marcado, ela pensava no que queria falar para ele, inclusive, se dizia ou não, aquela história que martelava sua cabeça. Pensou em ser o mais natural possível e pensou que se ela pensar em ser natural, já não era ser nada natural. Ficou muito confusa e nervosa.
Ela chegou à choperia e ele já estava lá com mais dois amigos. Desde o início ela sabia que não era um encontro romântico.
Ela sentou-se sem jeito. Rodrigo a apresentou para os seus amigos de trabalho e em pouco tempo ela já estava relaxada.
Naquela mesa de bar, rolava todo tipo de assunto. Todo mundo com um alto nível intelectual, lançando questões interessantes e sabendo bem desenvolvê-las. Tudo foi muito agradável.
Era uma noite fria, mas o clima estava seco e com certeza não iria chover. O vinho estava delicioso e aquecendo até a alma. Catarina e Rodrigo estavam bem próximos, eles podiam sentir o hálito um do outro. Não demorou muito para surgir a conversa paralela:
– Eu custei a acreditar que era você quem estava na minha frente no supermercado – disse Catarina.
– Mas você sabe que eu gosto de ser assim.
– Assim como?
– Uma surpresa – Disse Rodrigo gargalhando
– É, você foi a melhor surpresa que eu poderia ter. Primeiro, pelo fato de ter sido inusitado e segundo, porque eu não imaginava que você tinha na memória a minha fisionomia.
– Pois é, Catarina... logo quando te conheci, você me chamou a atenção. Vi que se destacava. Não por ser bonita ou qualquer coisa do tipo, sim, você de fato é bonita, mas o que me chamou a atenção mesmo, foi o jeito como você se comunicava comigo; não se repetia e tecia comentários que eu achava interessantes. Sem falar que você tem um jeito doce e bem irreverente.
– Nossa, Rodrigo, você percebeu tudo isso em mim? Fico imensamente feliz.
– Então, quando te vi naquele supermercado, não tive dúvida de que ia lá falar contigo naquela fila e te dar, pelo menos, um beijo como forma de retribuição a todo carinho que você sempre demonstrou por mim nesse tempo que me conhece, que não é longo, mas suficiente para fatos importantes acontecerem e eu te perceber sempre ao meu lado.
Catarina estava radiante de felicidade e pensava em contar tudo para ele, mas não sabia se devia e ao mesmo tempo, achava que esconder aquela história interessante dele, seria, no mínimo, desonesto. Então ela tomou fôlego e resolveu contar:
– Rodrigo, você acredita em acaso?
– Não, não acredito. Não é que eu ache que tudo seja metricamente pensado, mas tem certas coisas que acontecem conosco, tão incríveis, que não tem como achar que foi obra de um acaso muito fantástico.
– Pois é, Rodrigo, concordo contigo. E você acha que estarmos aqui, nesse momento, é obra do acaso?
– Não, acho que não é. Acho que tudo isso está acontecendo, porque eu e você tínhamos mesmo
– E se eu te disser que eu programei praticamente tudo o que estamos vivendo agora. Você acreditaria?
– Como assim programou? Acreditaria, mas me explica isso.
Ele gaguejou, se aproximou ainda mais e olhou fixamente para ela, muito interessado na história que estava por vir:
– Há algum tempo eu te conheci através da internet e tv, como bem sabe. Não sei dizer precisamente quanto tempo, mas tempo suficiente para nutrir uma admiração por você muito grande. Se bem que eu não precisaria desse tempo, porque a admiração que eu tive, e tenho, foi instantânea. Eu acompanhei a sua vida como se fosse um familiar meu; torcia por você, vibrava com suas conquistas, ria dos seus micos, ficava com vontade de te abraçar quando estava triste. Às vezes eu conseguia te escrever para dizer algumas coisas, outras vezes não. De certa forma me sentia próxima. Por vezes pensava que você tinha a mesma impressão de ser próximo de mim e outras, achava que você nem lembrava da minha existência...
– Mas pode ter certeza, Catarina, que sua energia chegava até mim.
Catarina sorriu e continuou:
– Mas o fato é que em dia muito frio, como este de hoje, eu deitei em minha cama depois de ter ficado triste contigo, não lembro mais o porquê da tristeza. Deitada, comecei a pensar em um encontro nosso. Naturalmente e sem interromper meu pensamento um só segundo, teci uma história em minha cabeça. Ponto a ponto. Imaginei exatamente tudo o que aconteceu conosco, desde o modo como você me abordou, até agora com essa conversa. Confesso que não tinha pensado que seria no supermercado, imaginei uma praia, foi isso. Mas de resto, tudo o que fizemos e, talvez, vamos fazer ainda, já esteve em minha mente.
Nessa noite a que me refiro, eu não consegui dormir, tinha tanta crença naqueles pensamentos, que me sentia eufórica, mas ao mesmo tempo, estava torcendo para que tudo o que eu acabara de imaginar, caísse logo no esquecimento, para que eu não desse lugar à ansiedade, que é muito prejudicial para qualquer coisa. Naquela noite ainda, eu sentei na frente do computador e transcrevi todo o meu pensamento para as páginas de Word. Depois reli o texto em alguns lugares e lembrava com carinho daqueles momentos. E depois, como eu queria, acabei esquecendo. E aqui estamos agora.
Rodrigo estava completamente entretido no que ela falava e com uma cara muito surpresa.
– Rodrigo, você entende que isso não tem nada a ver com magia, macumba ou qualquer coisa do tipo, não é? – Atentou Catarina – Tudo o que aconteceu foi fruto de uma força, ainda muito desconhecida por mim.
– Imagina, Catarina, entendo muito bem isso o que aconteceu e acredito em você! Porque já me surpreendi também com a força do meu pensamento.
Você sabe que eu apanhei muito na vida, me senti muito humilhado e triste com minha profissão até chegar aqui. E nos momentos que me sentia fraco, eu atropelava todos os maus pensamentos e os substituía por pensamentos de sucesso. Todo o sucesso que almejava e que, de fato, agora vivo.
– Eu sei disso, gentil Rodrigo. Sempre admirei muito essa sua força.
– Continuo sendo o mesmo homem de antes, mas, com certeza, sou muito mais reconhecido e respeitado.
– É por isso que não tive medo de te contar tudo, quer dizer, tive um pouco, mas não por você não acreditar em mim, mas por dúvida se era mesmo necessário eu te contar essa minha história, e que agora, de uma jeito ou de outro, também é sua.
– Depois de ouvir essa história, eu fico ainda mais feliz por ter te encontrado e estar agora com você. Está tudo tão agradável, que parece que estamos só nós dois aqui. Uma pena que amanhã cedo eu vou embora. Mas você sabe que eu estou sempre por aqui, e depois de hoje, com certeza vou querer te encontrar para termos outros papos legais e interessantes como esse.
– É uma pena mesmo, vou sentir sua falta, Rodrigo, eu sei que você é especial, te digo isso sem clichê. Nunca conheci alguém tão gentil e cortês
– Catarina, você, a partir de agora, já me é muito mais que especial.
Os Hálitos foram sentidos cada vez mais perto e aquecido. Aquela noite foi mesmo inesquecível para os dois.
Na noite do dia seguinte, o celular de Catarina toca. Era Rodrigo:
– Ligo para dizer que estou pensando em você e que seu cheiro ficou
– Um beijo enorme e até breve – Catarina responde sem mais.
P.S. Este texto está aqui no Chá, porque me é muito especial. Ele originalmente foi postado no Condado dos Sonhadores, dia 03 de junho de 2008.

calma menina!!!
ResponderExcluirassim não consigo acompanhar.
ta pronto?
Tá brincando?essa podia ser a história da minha vida!(Tirando a parte do Rio...)Tá pra chegar o dia em que eu serei a Catarina por uma noite...ou dia quem sabe?Belas palavras mocinha!
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