20 junho 2008

Desencontro

O dia dos namorados nunca significou nada até esse último. Pois esse foi marcado por um acontecimento importante, não sabido ainda de que magnitude. Mas marcou.

Como de costume, Catarina vai navegar na Internet e descobre uma notícia muito interessante, tão interessante que ela esquece até o que ia fazer... Rodrigo, o homem que ela tanto admira e gosta, finalmente irá ao Rio! E daí?

Explicando: ela tem uma relação restrita com ele. Eles se comunicam, raramente, através de mensagens via Internet. Ele é muito generoso e um livro aberto, mas com toda essa generosidade de informações que ele disponibiliza, a relação dos dois, inevitavelmente, era superficial. Ela sempre teve vontade e ir além disso, e dessa vez, foi. Mandou seu telefone juntamente com um convite para ele. Catarina ficou tão nervosa, por causa desse convite e desse sentimento doido que estava corroendo seu tino; era um misto de medo, ansiedade, felicidade, certeza... Naquela noite ela não conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, a primeira coisa que ela faz e correr para o computador em busca de novidade e notícias. E de fato ela recebe uma maravilhosa notícia. Rodrigo responde sua mensagem dizendo que aceitava o convite e que era para ela manter o celular ligado, pois ficaria de quinta-feira até sábado no Rio.

Depois dessa notícia, ela não fez mais nada além de constatar que realmente é muito forte e que não podemos desdenhar nenhuma oportunidade na vida. As horas passaram lentamente, o dia passou... e constantemente olhava o celular para ver se alguém havia ligado. Era noite e nada...

Não havia nada que ela pudesse fazer além de deitar em sua cama e meditar, sonhar, desejar, amar... Não demorou três minutos sequer e o celular toca. Ela vê que é um número de São Paulo e se treme dos pés a cabeça. Do outro lado da linha uma voz de detetive de desenho animado:

– Alô, por favor, o Caco.

– Caco? Esse celular não é de nenhum Caco! – Ela sabia que era ele, e se fez

de desentendida.

Uma gargalhada gostozérrima começa a ser solta:

– Te enganei, Catarinaaaaaaaa [esse Catarina é dito aos gritos alongados].

– Sou eu, Rodrigo! Eu não sou uma farsa. Eu existo! Hahahahaha

– Eu sei que você existe, seu bobo, nunca tive dúvida disso.

Ela riu muito perguntando o porquê da voz super caricata...

– E aí, vamos fazer alguma coisa? – Perguntou Rodrigo entusiasmado.

– Agora? Olha a hora!

– Caramba! É mesmo, nem me liguei na hora. É tarde. Poxa...

– Pois é!

– Fiz tanta coisa hoje, e acabei dormindo quando cheguei e só acordei agora.

Ele conta tudo o que fez durante o dia e suas peripécias.

Eles conversam por mais de 10 minutos e combinam de se encontrar na praia para passearem um pouco enquanto conversam sobre a vida.

Aquele horário era estratégico para ela não conseguir dormir mais. E, de

fato, ela viu o dia amanhecer, intercalando com uns cochilos por causa do cansaço.

Como combinado, no dia seguinte, Catarina liga para saber se ele estava desocupado. O telefone chama, chama e ninguém atende. Uma pulguinha ficou atrás da orelha... ela deixou uma hora passar, mais ou menos, e ligou novamente.

Ele atende:

– Poxa, querida, infelizmente terei que ir trabalhar mais cedo do que

esperava. Que tal se sairmos depois que eu terminar, pode ser?


– Pois é, eu imaginei que não daria tempo. Podemos marcar mais tarde, não

faz mal algum. Marquei de tomar um chope em Botafogo com minha amiga. Como você estará perto, quando terminar, é só me ligar.

– Certo, ou você me liga, tá bom?

–Tudo bem... um beijo e bom trabalho.

A hora que ela havia marcado com a amiga não estava próxima. Mas como Catarina estava muito cansada dessas horas de ansiedade, ela resolveu deitar e descansar, mas não conseguiu. A inquietude tomava conta de sua mente e corpo. Ela tratou de se arrumar logo de uma vez. Colocou uma roupa nova, caprichou no cabelo e foi se encontrar com os amigos.

Chegando lá, conversaram muito sobre Teatro, cinema, TV... Uma das amigas estava com um texto muito legal escrito por sua tia. O papo foi agradabilíssimo, mas a cabeça de Catarina estava longe, aliás, tava bem perto, mas perto que jamais estara, afinal, ele estava pouco mais de cinco quilômetros de distância dela, trabalhando.

As horas foram passando, nenhuma notícia chegava, ela ia ficando nervosa, o frio aumentava. Na verdade, era mais nervosismo que frio. E ela resolveu ligar, pois já havia passado mais de uma hora do horário estipulado por eles para um entrar em contato com o outro. Ela foi até o toalete e ligou. Chamou pouco, atenderam, mas era um amigo dele. Ela perguntou se o Rodrigo poderia atender e o tal amigo disse que no momento ele não podia atender. Ela não conseguia entender nada direito, estava muito barulho nos dois locais. Ela só pediu para que Rodrigo retornasse a ligação assim que possível.

Metade da felicidade de Catarina estava na gaveta. Baixou o astral totalmente, ela já havia tomado umas seis cervejas. Estava com medo de perder o juízo. 40 minutos depois, Rodrigo liga:

– Oi, Cá, você me ligou, né?

– Sim, queria saber se já estava desocupado.

– Terminei agora. Vou ao hotel tirar essa roupa e deixar o equipamento.

– Certo – Disse Catarina descrente.

– A galera está a fim de ir a um bar em Ipanema.

– Ipanema? Poxa, é muito classe A. Você não queria conhecer um boteco legal tipicamente carioca?

– Pois é... eu não sei ainda se quero ir a Ipanema. Vou decidir e ligo de novo para te dar uma satisfação, ok?

– Tudo bem, liga mesmo, porque está ficando tarde.

– Tá bom. Um beijo.

Ela desligou o telefone desconsolada. Visivelmente triste. Os amigos dela não acreditaram que ela tinha sido tão passiva. Eles a convenceram de ligar novamente e dizer algo com mais atitude. Ela, besta, o fez:

– Rô, você não quer que eu vá a seu encontro no hotel? Daí fica mais fácil depois para decidir, né?

– Pô, não vou te tirar daí agora. Vou decidir o que vou fazer e te ligo pra ver como a gente fará pra se encontrar. Não se preocupe.

– Ok, tá bom. Beijo

Catarina teve certeza que noite estava terminada ali. E assim foi. Ainda bebeu muito, mas não conseguiu ficar bêbada e nem queria! A sorte foi que na hora que ela decidiu ir embora, uma Van passou.

No caminho, ela colocou o seu MP4 e ouvindo suas tão amadas músicas, não teve como controlar o choro... Como também não foi possível controlar a frustração e a dor. O sonho estava cada vez mais difícil de ser realizar. Ela tinha poucas horas para que ele acontecesse.

Logo, essa história já contada e recontada em mente, vontade e força, estava prestes a não ter o final esperado. Catarina só se perguntava aonde errara. Por quê? Por quê? Por quê? Mesmo sabendo que tudo tem um porquê, ela sabia que essa consciência ela não poderia ter naquele momento e nem tão cedo, talvez, quando a poeira baixasse.

Ela, finalmente foi dormir, de manhã.

Quando ela acordou, lá pelas tantas da tarde, continuou na cama remoendo sua dor e fazendo os mesmos questionamentos e especulações. Ela ainda estava meio zonza de sono quando o celular toca:

– Olô, Cá?

– Oi

– É o Rodrigo, tudo bem?

– Tudo bem...

– Você está num velório? – Rodrigo perguntou num tom meio sério

– Não, acabei de acordar.

– Hum... desculpe por ontem, houve um desencontro tremendo, eu fiquei sem telefone, acabou que o pessoal foi mesmo para Ipanema e eu não dormi no hotel, acabei de chegar aqui.

Catarina não pensou em fazer nenhuma pergunta, ela só não queria mais perder nenhuma oportunidade de encontrá-lo.

– Você dormiu na casa de sua amiga?

– Não, voltei pra casa.

– Hum... que pena que você mora longe, eu vou ficar passeando por aqui no calçadão até dar a hora de ir para o aeroporto.
Ingênua ela pergunta:

– Como que eu vou te encontrar com você caminhando?

– Ah, até você chegar ficará tarde...

– É perto! ­– Retrucou querendo salvar a chance de vê-lo

– Ah, eu sei, mas é melhor deixar para outro dia. Eu volto aqui semana que vem e a gente se encontra com certeza. Depois, eu terei que ir para o aeroporto daqui a pouco, não vai adiantar muito.

– Ok, tudo bem. Tenha uma boa viagem e até aproxima.

– Obrigada! Um beijo, querida.

Pronto! Depois dessa conversa reticente, não havia mais nada que ela pudesse fazer. A pressão caiu e ela sentiu o chão como se fosse de borracha. Não sabia mais raciocinar. Ficou inerte por minutos. Até que ela resolveu parar. Parou de achar, de pensar, de tudo.

No final da noite, ela foi colhendo informações e fatos foram surgindo e cada um era uma peça para formar o quebra-cabeça. Ela, inclusive, descobriu o verdadeiro porquê de ele não ter ido a seu encontro. Nada grave, mas não vale comentar.

O pior, foi que depois de um dia do ocorrido, mais ou menos, ela tentou fingir que estava tudo bem mandando uma mensagem amigável. Não obteve resposta, isso ia desanimando o seu dia-a-dia... tentou mais um contato e mais uma vez foi ignorada.

Dessa vez não há um final feliz, pois ainda não houve final. Agora, essa é a sua única certeza.

3 comentários:

  1. Muito bom o texto, acho que um pouco a ver contigo né?

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  2. \o/
    Ainda não houve final!

    *e espero ver a história de desenrolando meu bem!!

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  3. É por isso que continuo lendo seu blog. Seu jeitinho de sonhadora encanta fácil fácil...

    ^^

    O final só chega quando for a hora. Antes eu pensava que era quando a gente quisesse...Mas não é bem assim, não é mesmo?

    Bom, só me resta desejar boa sorte à Catarina em seus romances épicos tão modernos!

    Como bem disse a toop, não houve final. Vou acompanhar atentamente até este dia chegar!
    (uhul!)

    bjs

    ***

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