30 julho 2008
Pode ser
Para não ser injusta, até que um cara deveras interessante cruzou, mas, pela primeira vez eu tive medo. Medo de terras desconhecidas, se é que você me entende. Em relação a isso, foi a primeira vez eu recuei em vez de tentar. Falo assim, mas não sei se vou continuar na defensiva. Agora estamos inertes. Talvez eu queira mudar isso, se meu sangue aventureiro correr novamente em minhas veias.
Pode ser que eu queira reviver amores do passado, pode ser que não; pode ser que isso fuja do meu controle, pode ser que eu nunca tenha tido controle de nada; só vou poder falar honestamente depois de tudo terminado.
Há quem diga que me falta autoestima, há quem diga que eu “me acho”.
Das duas, queria que fosse verdade a segunda opção. Perceba: queria, futuro do pretérito, ou seja...
28 julho 2008
Sem tempo
17 julho 2008
Fase
Que coisa, é muito difícil a gente delimitar e perceber essas mudanças na vida, mas isso era tão esperado por mim... Agora, que finalmente aconteceu, eu consigo percebê-lo. Vitória!
Percebo cheiros mais marcantes, gostos mais fortes, cores mais vibrantes, tudo diferente. As considerações são boas. Uma renovação positiva era tudo o que eu precisava!
10 julho 2008
Vivendo a viagem
Foi bom ter feito algo diferente,
Não ter planejado e não ter ansiado.
As coisas assim são mais frescas,
Mais reais e, de fato, mais felizes.
Foi bom pular e dançar no carro
A caminho da cidade histórica,
Cantando até ficar rouca;
Músicas dos anos 60, 70, 80...
Chico, Bethânia, Milton, Elis...
Relembrar poemas de Quintana, Clarisse, Pessoa...
Também foi muito bom ter certeza
De ter certeza das minhas certezas.
Acasos não existem, mas ter vontade de acreditar
Que acasos despretensiosos também acontecem.
Só para ter mais graça tentar entender
Coisas fascinantes.
Grande acaso ele ser a primeira pessoa
Que eu dou de cara na cidade;
No memento onde eu estou despreparada,
Anestesiada, desarrumada.
Natural, eu diria?
Passar o dia aprendendo,
Dando jeitinho, o famoso brasileiro.
Dar de cara outra vez,
Exatamente da forma como imaginou,
Ah, demais! Rir com ele, brincar, conversar, beber...
Mas o melhor foi levar um tapa na cara de realidade,
Desmistificar. Sim, foi ótimo e duro, confesso.
Andar de madrugada pelas ruas de pedra,
“Pedras enterradas na vulva da terra”
Com frio, sem ter pra onde ir na madrugada,
Me fez pensar e até mesmo sonhar.
Senti-me independente, forte...
Mas será que eu estava triste?
Hum... decepcionada, talvez.
Dormir desconfortável foi ruim para os meus joelhos,
Mas tudo valeu muito a pena,
Principalmente ao abrir os olhos
E sentir aquele cheiro do desconhecido.
Errar o caminho chegando a cruzar a fronteira de mato,
Logo depois cheiro de maresia,
Olhar aquela paisagem sentir a temperatura da água,
O fim de tarde de cor divina e iluminada,
Desses que fazem renovar cada célula do seu corpo.
Voltar e se dar conta de que passou um dia e meio fora
Cronologicamente, mas semanas
Em tempo relativo à intensidade
Dos momentos brilhantes
Aprendendo e vivendo.
Anima
Lapidar minha procura toda trama
Lapidar o que o coração com toda inspiração
Achou de nomear gritando... alma
Recriar cada momento belo já vivido e mais,
Atravessar fronteiras do amanhecer,
E ao entardecer olhar com calma e então
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida tira a mancha que há no meu ser
Te quero ver, te quero ser
Alma
Viajar nessa procura toda de me lapidar nesse momento agora
De me recriar, de me gratificar de custo alma, eu sei
Casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz, onde se encontra o templo
Que inventa a cor animará o amor onde se esquece a paz
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida todo afeto que há no meu ser
Te quero ver, te quero ser
Alma.
Milton Nascimento
08 julho 2008
Junto com o amanhecer

Depois deste fatídico desencontro entre Catarina e Rodrigo, as coisas ficaram inertes, não houve atitude, ação, reação. Tudo suspenso no ar, as coisas meio embaçadas tal como nos sonhos loucos. Houve desejo, sim, desejo... isso não falta nunca por parte da Catarina. Ela sem saber como, continuou ...
Como já havia citado, ela tentou entrar em contato mais duas vezes para tentar mudar uma sensação estranha no ar. Mas ele, como não era esperado, ignorou o contato. Semanas se passaram e o constrangimento, ainda não sabido exatamente porque, foi sendo tomando por outras preocupações do dia-a-dia prático de Catarina. Ela estava achando ótimo, pois era menos doloroso não ter tempo para especular uma possível rejeição. Mas é claro que na hora de dormir, Catarina sofria e as horas demoravam a passar; o sono era a coisa mais distante que chegava a seu cérebro. Ela imaginava de tudo; tinha horas otimistas, outras realista e até nessa hora ela não conseguia deixar o sonho de lado. E como de costume, imaginou um futuro próximo. Ela chegou a mandar mais uma mensagem super séria e verdadeira, não que as outras não tenham sido, mas essa, em especial, era muito importante pata ela. Entre outras coisas, na mensagem, Catarina perguntava por que ele estava tão sumido, e que não era para ele esquecer que ele tem uma amiga que ansiava por notícias.
As horas passaram, ela viu que Rodrigo leu as mensagens... ela esperava uma reação, mas não teve, apesar de ele não as ter apagado. Na manhã seguinte, Cataria teve a informação de que ele estava de volta ao Rio. Catarina não perdeu tempo, por via das dúvidas, mandou outra mensagem com o número do seu celular (que ele já tinha). Agora eram três mensagens. Mais tarde, no mesmo dia, Cantarina viu que a sua mensagem super sincera com pedido de notícias, havia sido apagado. Ela se perguntou por que ele não apagara a mensagem logo que leu e deixou o tempo passar. Será que ele estava com a intenção de responder e depois mudou de idéia? Mas o número do celular dela ainda estava lá. Foi aí que ela teve certeza de que ele ia entrar em contato. Quando foi de noite, ela vê que um número com o DDD diferente estava chamando no celular dela, mas ela já sabia que era ele e sem rodeios:
– Cá, minha querida. Pardon!
Um sorriso do tamanho do mundo abriu-se no rosto de Catarina
– Pardon? Por quê? Fizeste algo errado? – Em um tom irônico muito charmoso.
– Sim, eu sumi! Foi sem querer, vi as suas mensagens, mas não havia jeito de eu conseguir tempo para respondê-las. Sinto muito, mas eu tenho trabalhado loucamente por esses dias.
– Imagino, mas, poxa, eu fiquei preocupada, tantas coisas passaram pela minha cabeça, especulei tanto.
– Ah, não queria que isso tivesse acontecido. Desculpe mais uma vez, e estou te ligando para me redimir!
– Redimir? Hum...
– O que será que eu posso fazer? Deixa eu pensar... te chamar para uma conversa pessoalmente em um lugar agradável, seria uma boa redenção?
– Hahahahahaha. Sim, sim, seria... – Ela respondeu com um quê de desdém.
Eles combinaram um lugar perto para os dois, naquele mesmo dia. Como ele estava no centro, escolheram um bar legal na Cinelâdia.
Quando Catarina chegou ao bar, ele estava sozinho, aliás tinha uma mulher falando em pé com ele, provavelmente alguém que conhece e gosta do trabalho do Rodrigo. Ele foi logo apresentando a tal mulher em pé: esta é Catarina, a minha namorada carioca. A tal sorriu e logo se foi.
Eu sou a namorada carioca? Quer dizer que você tem uma namorada em cada estado? Ou seria em cada cidade??
Os dois caíram na gargalhada.
– Tudo bem, vou tomar como uma elogio.
– E é um elogio.
Ele estava bebendo um chope e ela o acompanhou.
– Quem vê você assim, não imagina que seja introspectivo como andei lendo em entrevistas que você deu por aí.
– Ah, Catarina. Eu sou. Com todo esse assédio, e relativo sucesso, eu gosto mesmo e de manter minha mente quieta. Gosto dos meus momentos de introspecção com meu violão, ou com minha escrita. Acho que isso faz com que eu me torne uma pessoa melhor.
– E eu concordo plenamente. Acho que as pessoas que não sabem ficar a sós consigo mesmas, não sabem efetivamente sobre nada o que acontece em volta, em sua volta. Quando não há o mínimo de entendimento claro sobre você mesmo, tampouco haverá do resto.
– Então, é isso que acho que me mantém reto. Me mantém no foco.
Eles conversam sobre coisas amenas do dia-a-dia e também sobre coisas mais profundas. Coisas particulares, desejos, vontades, angústias...
– Catarina, aqui é um lugar bem legal tem um clima muito agradável, não é?
– É, gosto muito daqui...
–Mas não é melhor que o silêncio de uma varanda. Uma varanda específica, que quero te levar agora. Sim?
– Sim! – Respondeu depois de um sorriso acanhado.
E assim foram.
Naquela varanda, dava para ver o céu. Aquela noite era esplendorosa, a lua estava nova; na cidade, as luzes estavam brandas e com isso, as estrelas ficavam ofuscantes. Algumas histórias eram contadas sob aquele cenário celestial, havia um romantismo atípico no ar, algo singelo e fresco. Havia amizade, complacência, entendimento. Alegria e amor, amor entre humanos, amor entre semelhantes, amor desprendido.
Aquela noite foi permeada por carícias, sorrisos, risadas, beijos, amor. E tudo tinha que acontecer antes do amanhecer, pois a realidade chagava junto com ele.
07 julho 2008
Repugnante
Estavam no Carro, a mãe e os dois filhos no banco de trás, um de 9 meses e outro de 3 anos, quando foram surpreendidos pelos tiros dos policiais.
Eu não quero me alongar. Só queria deixar registrado o meu nojo, minha tristeza e revolta diante de tanta falta de humanidade e de respeito.
Como podem esses malditos tomarem a atitude que tomaram sem ter o mínimo de certeza? Mesmo se fosse o alvo certo, estavam em um lugar onde pessoas transitavam, eles tinham que ter pensado nisso. Mas não, são burros demais! A mulher parou o carro para dar passagem aos policiais seguirem com a perseguição aos bandidos. Que bandido sendo perseguido iria tomar a atitude que esta mãe tomou de parar na calçada? Começa daí a tamanha falta de preparo desses seres.
A mãe deu todas as dicas possíveis de que eles estavam enganados. Se jogou no meio do carro, mostrou a eles a bolsa de criança...
O fato é que não pode haver engano (engano? Eles estavam loucos, transtornados por droga, no mínimo) por parte desse tipo de profissional. Profissional? A PM está cada dia mais absurda e de profissional eles não têm nada. São uns cruéis, burros, animalescos, com sede de morte e sem respeito nenhum à vida e às pessoas. Esse tipo de gente - Que tenho esperança que esteja se extinguindo da terra - tem é mais que viver enjaulado, na melhor das hipóteses.
Foi muito duro ver o depoimento do pai das crianças se mostrando completamente azucrinado e indignado.
O que me resta é rezar e pedir aos deuses que lhes dêem forças para continuar a viver esse vida.
