03 novembro 2009

Estupidez

Muito louca essa fase que estou passando, porque nada de ruim me acontece [o que já seria motivo mais do que suficiente para ser feliz] e igualmente nada de bom, mas esse último é que fala mais alto, POR QUÊ? De onde vem tanta estupidez?

15 outubro 2009

Desabafo

Quem eu sou? O que eu estou fazendo aqui? Realmente eu me sinto muito estranha... muito diferente de todo mundo; ora por achar tudo muito lindo e que só eu tenho olhos para ver, ora por achar tudo muito sem graça e igualmente só eu ter estes olhos.
Minha alma, meu espírito, algo que faça realmente sentido além da matéria, uma consciência, que seja, deve estar deveras triste comigo. Acho que eu não estou fazendo a minha parte. O que eu estou fazendo para contribuir para a evolução do mundo? Para a minha evolução!?!?!? Até ontem eu acreditava que era este o sentido da vida: participar, viver, ajudar. De repente nem é esse o sentido. Não aguento mais perguntas. Quero respostas urgente! Preciso sair daqui! Desse lugar que está em todos os lugares que vou, está me sufocando, embaçando, deixando sem cor e sem brilho o sol que eu cismo eu amar.

Que vazio! Este vazio pesa demais, pesa tanto que me tira a força.

13 outubro 2009

Onde começa e onde termina?

Estou enjoada, irritada e nervosa. A ansiedade está me tirando a sanidade. Definitivamente, eu me sinto uma grandessíssima IDIOTA por não saber amadurecer emocionalmente.

… Mas eu gostei dele, gostei! Mesmo com a toda a idealização inerente da paixão, é claro que ele tem tem tudo a ver comigo, até nos detalhes vejo semelhança. Impressionante!

E como não me deixar envolver estando tão sozinha e realmente aberta a novas histórias? Eu quero tudo e mais um pouco. Mas o que me enlouquece, é imaginar o que pode estar passando pela cabeça dele... Tenho medo de ele não estar nem aí e que o interesse esteja só do meu lado, muito receio de ele estar apenas vivendo a vida dele e se divertindo... enquanto eu estou aqui, me consumindo de ansiedade à espera de notícias o tratando como prioridade. Ele, provavelmente, está levando a vida normalmente, trabalhando bem, fazendo tudo o que tem que fazer sem alterar nada. [não dá pra negar que ele está certo]

Sei que são palavras são meio derrotistas, sem confiança... mas como ser positiva sem entrar na questão da auto-enganação? Eu poderia estar aqui cheia de confiança (falsa) e digitando frases boas e positivas, mas se, na verdade, quando eu penso na história friamente, é exatamente o que eu descrevi acima que enxergo. Onde está o limiar da auto-enganação e da autoconfiança?

20 setembro 2009

Aceito

Cada dia mais relapsa com este Blog.
A bem da verdade, ando desanimada, acompanhado à minha falta de criatividade, deixo de vir aqui pra não me sentir ridícula. E isso se aplica a tudo, ou quase tudo.
Mas, hoje, venho aqui só pra dizer que resolvi aceitar. Aceito, aceito e aceito. Aceito o que está acontecendo, aceito a vida que tenho. Acordarei de manhã para trabalhar sem reclamar ou chorar de irritação, sorrirei para as pessoas verdadeiramente me esforçando para ignorar a sua insignificância e não sofrerei mais pelas coisas que ainda não tenho. É só isso.

20 maio 2009

Girando...

É e a roda da vida girando mais uma vez.
Quando estamos cômodos, num lugar quente e mais confortável, o chão se treme, as estruturas se abalam e você não tem escolha a não ser se levantar e procurar um novo lugar.
Quem sabe dessa vez eu aprenda a não me acomodar, quem sabe dessa vez eu entenda que tenho que encontrar um lugar ao qual eu fique inquieta, com isso, produza. Porque é muito fácil não realizar quando se está acomodada. E talvez seja isso mesmo que a vida quer: não te deixar quieto. Acomodar? Pra quê?
Há de se ter equilíbrio!
Pessoas como eu, que gostam da rotina, sofrem com “tremidas de terra”. Preciso entender que isso é necessário para uma renovação. Evolução.

Talvez seja hora de eu não ter medo da mudança e encarar o que pode estar por vir.

01 maio 2009

Apenas mais um sonho (?)

Dia 28/04

Eu tive um sonho muito estranho, que eu me lembrava muito bem até pouco tempo, e comecei a querer escrever sobre ele para ver se tudo me vem à memória:

Eu estava num lugar estranho, era rústico e me lembrava a Índia, a arquitetura era bem parecida.

Em uma espécie de armazém, estava lá, parada, só observando; quando a dona do lugar recebe um telefonema. Ela estava com o aparelho no ouvido, mas eu podia ouvir muito bem a conversa com a pessoa do outro lado da linha; Era um homem, alguém que eu conhecia, podia ver também sua fisionomia, ele tinha uma voz serena e triste, e na conversa ele pedia perdão pelos seus erros e explicava que o que ele tinha feito não era na intenção de atingir a sua mãe... então, no caso, a dona da mercearia era mãe do rapaz. Ele disse que estava perto, mas que não podia aparecer porque era procurado pela polícia, e deu um número de celular que eu lembro começar com 98. Eu estava ali, ouvindo telepaticamente aquela conversa e chorava muito e sentia uma melancolia muito forte.

De repente, apareceu um homem muito, mas muito parecido com o que estava há pouco ao telefone com sua mãe. Era seu irmão. Eu me aproximei e cheguei bem perto de seu ouvido e disse: eu amo muito o seu irmão. Nada mais que isso. Ele ouviu minhas palavras e saiu em disparada, eu corri para ver; era ele à procura do irmão. Mais de repente ainda, o fugitivo, meu amor, apareceu no meio da rua como se quisesse se mostrar a todos de uma só vez e os carros pararam, as pessoas olharam e a cidade parou, como se tivesse dado um pause e depois um play, a perseguição e a luta começaram Não consigo me lembrar de detalhes, mas ele era rápido e eu, sem barreiras, o seguia.

Chegávamos num túnel em construção e os trabalhadores nos indicavam a melhor saída, todos nos ajudavam, eu lembro do ambiente desagradável, úmido e sujo e me dá um desconforto imenso e ao mesmo tempo saudade.

Sei que lendo o relato parece bem comum, mas eu me senti muito incomodada e emocionada com o sonho, por isso quis escrever.

26 abril 2009

Retiro

Estou há 4 dias em casa, sem colocar o pé na rua.
Aproveitei pra dar uma organizada na vida, no meu quarto, na mente. No armário eu fiquei com preguiça, confesso. Tem um quadro inacabado aqui do meu ladinho e ele tem tudo pra ficar bem bonito, mas eu não crio coragem de terminar. Minha mãe etra aqui e diz que vai chamar o macaco para terminar (fazendo alusão ao macaco pintor da novela Caras e Bocas, da Globo). Eu ri pouco.
Mas eu não fiquei meditando, muito pelo contrário, fiquei alimentando a minha imaginação, pensando em várias coisas que quero para a minha vida e tentando organizar tudo, não obtive tanto êxito, mas, pelo menos, melhorei da crise existencial.
Não parei de ouvir música, conheci músicas e artistas novos, ai, foi tão bom, tanta música boa, tantos sonhos bons vêm com eles, esperança, lembranças...
Eu tô feliz, troquei uns e-mails com o cara que não sai da minha cabeça e agora quero relaxar, quero ficar mais perto, só que de uma forma natural, sem forçação de barra. Quero ter serenidade, porque eu sei que às vezes eu sou meio eufórica e erro na dose.
Tô com saudade da Avenida Paulista
Que eu tenha sucesso!

25 abril 2009

Não pude evitar,

Eu bolinei feio no meu porquinho. Ele até ficou quebradinho, mas sabe como é, fim de mês... mas é também sexta-feira (Ah! Hoje é sábado!) de um fim de mês... daí cê vê.
Os amigos começam a chamar para a boemia...
Desculpe-me, porquinho, mas não pude evitar.

P.S: eu nem saí...

23 abril 2009

Interessante

Estou meio eufórica e isso é chato, preciso me concentrar na realidade.

Descobrir artistas e bandas novas dá muito trabalho, mais trabalho para quem é compulsiva como eu. Não descansei na noite de ontem até descobrir o mínimo sobre o Dudu Tsuda, cara realmente genial e nada fácil. A bem da verdade, não gosto de coisas fáceis.

À procura de um vídeo específico, descobri através do programa Mão na Massa, o Dudu. Fiquei intrigadíssima com a figura, na mesma hora danei a procurar informações sobre o moço e descobri a Tiê, uma cantora lindinha, que tem uma voz suave e música boa de ouvir sozinha, para refletir. Mas o Dudu toca com o grande Junior Barreto, Jumbo Elektro, entre outras bandas legais. O som dele me agrada profundamente, pena que não toca mais com a Tiê, era uma dupla e tanto.

O vídeo do elevador é qualquer coisa entre uma coisa e outra. Gostei. Tem um monte de hobby interessante. Já percebi muita coisa em um dia, mas ainda tenho muito a saber do moço zaponês mojica medieval contemporâneo.

Fiquei cansada. Mais casada e irritada fiquei porque não consegui ler o Blog dele que só descobri quando cheguei no limite do cansaço e não havia jeito de continuar no PC, ainda por cima, sabendo que tinha trabalho na manha seguinte.

Dá medo de perder de saber qualquer detalhe de sua história, correndo o risco de deixar de aprender algo para a vida minha.

07 janeiro 2009

TABACARIA (15-1-1928 )



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres

Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,

E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo

À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,

Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.

Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!

E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento

Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,

Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.

Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...

Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -

Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,

Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.

Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.

Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;

Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;

Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.


(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!

Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,

Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro

A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.


(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,

Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,

Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.

Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.

Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,

Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,

E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.


Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário

Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça

Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada

E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.

Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,

E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,

E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los

E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,

E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações

E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.

Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira

Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.

(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)