14 setembro 2008

Setembro

Definitivamente, não foi como num passe de mágica que as coisas para Catarina começaram a andar.
Depois de ter passado por muitas dificuldades em todos os aspectos de sua vida. Todos! Ela começou a querer mudar efetivamente aquela situação.
Isso começou por ela parar de pensar de forma destrutiva e agir mais. Havia coisas que ela precisava resolver que não dependiam somente dela. Então, na parte prática, ela começou a fazer o que era possível. Para melhorar sua auto-estima, ela se obrigava, mesmo sem vontade, a cuidar de seus cabelos, controlar a alimentação, fazer as unhas, usar roupas mais transadas e ter mais paciência para essas coisas, visto que isso nunca foi prioridade para ela. Conseguiu fazer um chek-up, estava com a saúde perfeita.
A partir daí, pessoas mais interessantes com as quais ela se identificava começaram a prestar atenção nela. Ela começou a sair mais, a ser vista e conversar. As pessoas estavam revendo a Catarina, a que era feliz, bem-humorada, comunicativa e inteligente. Isso atraiu muitas pessoas legais para o seu lado. Dentre elas, seu amor, alguém que lhe faz muito feliz e a ajuda a ser uma pessoa melhor.
Ela conseguiu um bom emprego, com a ajuda de amigos, entrou, finalmente, no mercado de trabalho para atuar na área em que estava se formando, e pôde assim começar a pagar um empréstimo que um amigo – Alguém que ela não imaginava que pudesse ajudá-la – deu quando ela mais precisava, quando todas as contas estavam atrasadas acumulando juros. Em pouco tempo ela começou a conseguir pagar aquele tão bendito empréstimo.
Sem muito problema, conseguiu se formar com louvor na faculdade, fez um projeto bonito, bem feito e inovador. Foi aplaudida de pé e teve nota máxima. Seu projeto foi publicado juntamente com os projetos mais bem colocados daquele semestre. Catarina não podia estar mais feliz!
Fechou o ano com tudo em ordem. Sua família estava feliz, sua mãe havia encontrado também as soluções para a vida dela.
O trabalho estava muito gratificante, seu namorado a fazia feliz e ela tinha muito orgulho dele,
E mais uma vez ela reafirmou que as dificuldades que passamos servem para nos fortalecer e ensinar.
Tudo sempre dá certo!

04 setembro 2008

Pai

Para sair de casa sabendo que andarei com meu pai pelas ruas é necessário que antes disso eu faça uso do meu calmante. Isso porque ele não pára de comentar e apontar as mazelas recorrentes nelas. Diz que o centro do Rio só fica difícil de transitar porque ninguém sabe andar à direita (ele gostaria que existisse legislação de trânsito para pedestres também, só pode!) e que é um absurdo alguém parar para conversar na calçada.
Fui comentar que não ia mais pegar aqueles papeizinhos que o pessoal dá, porque toda vez eu ficava no vácuo, e que também era um absurdo, pois a rua ficava imunda. Se o povo soubesse jogar o papel no lixo e se ainda que as propagandas fossem decentes, mas não: "Mãe Zizi da Cochinchina traz seu amor em 3 dias" "Dinheiro Rápido! Slogan: faça esse empréstimo a juros de 100000 a.m e foda sua vida pro resto dela”. Propagando para pessoas desinformadas, as mesmas que também, por falta de educação - quero eu acreditar nisso - jogam papel na rua. E questionei o por quê não haver uma lei que proiba este tipo de propaganda. Pra quê eu fui fazer esse comentário perto do Dr Charles Albert? Ele começou: " Por que se eu fosse prefeito, esse povo iria se foder na minha mão, eu não iria permitir essa palhaçada, iria pegar o endereço que está no papel ia de um por um multando e prendendo. Antes mesmo que houvesse legislação para tal proibição.
Lixeira? Eles querem mesmo é pegá-las para tacar fogo sem motivo” (como se fosse possível haver motivo para tal ação). Ufa!
Continuamos caminhando... Ele comentou que Gabeira e ele bateram um papo em uma oportunidade rara por causa das eleições, meu pai estava criticando o tal e ao mesmo tempo elogiando-o por ter falado poucas e boas para o Severino Cavalcante e que ainda teria feito mais: "daria uns bons tapas naquele safado".
Não recordo-me como, mas ele (meu pai) adora falar dos povos "vadios" detentores do poder e do dinheiro do mundo. Começou a defender a Palestina, porque ela está numa guerra com pau e pedra (e homens-bomba) enquanto Israel tem melhor tecnologia em armamento de guerra. Ele acha injusto. Como se fosse possível alguma guerra ser justa.
Eu fico babando como meu pai é culto e nunca me deixa sem resposta para as perguntas mais inusitadas. Como hoje, estava morrendo de dúvida em relação a guerra da Geórgia, Rússia com Ossétia do Sul. Perguntei e não deu outra, tava meu pai respondendo minhas perguntas pretensiosas...
Ainda no vagão do metrô, caímos num assunto que muito me interessa: as metáforas da bíblia, livros apócrifos etc. Elias, João batista, espaçonaves, luz, fogo... Falamos sobre a nossa lógica cada vez mais aprimorada, a lei da relatividade, buraco negro. É, a bíblia é o máximo! Pena que a maioria não saiba interpretá-la.
Mas o fato é que, apesar de meu pai ter um jeito grosseirão e exagerado de se expressar, aquele homem guarda um conhecimento e sabedoria que eu admiro demais. Mesmo ele falando um monte de coisas que a princípio eu discordo. No fundo, ele consegue me fazer pensar melhor, e é certo, ele não costuma errar. Meu pai enxerga além, parece que prevê o futuro. Meu pai tem muitos defeitos, como qualquer ser humano, mas critica com coerência, não se contradiz. Tenho muito orgulho dele.
Sei que foi bom demais passar essa tarde com meu pai, em meio às atribulações e compromissos do dia-a dia.