30 junho 2008

Não à hipocrisia


Eu ia fazer um “P.S.2” no post anterior, mas resolvi desenvolver melhor a idéia a seguir.

Eu recebi algumas críticas por causa desse referido post, do tipo: “poxa, achei que você fosse mais tolerante” ou “Achei que enxergasse o melhor de cada pessoa”. Mas, gente, pera um pouco; quantas pessoas estão sendo sinceras quando falam isso? Principalmente quando usam a frase “clichezesca”: “ninguém é melhor do que ninguém”. Ah, por favor! Como não? Analisemos: visto de uma forma “romântico-poética”, aos olhos de Deus, nós, como criaturas, somos, de fato, umas iguais às outras. Mas em se tratando de evolução, NÃO! Quando eu digo que é hipocrisia dizer que ninguém é melhor do que ninguém, é me referindo a pessoas que, simplesmente e visivelmente, não se importam e não querem evoluir, em todos os aspectos. É claro que, sendo justa, quem é que pode ter o gabarito para dizer que é melhor ou pior do que alguém? É aí que entra o bom senso e a autocrítica. Quem vier a dizer isso pode ser taxado de, no mínimo, arrogante. Mais uma forma de hipocrisia por parte dos julgadores.
Como estou tentando ser o mais sincera possível comigo e com todos os meus amigos, digo: eu me acho, sim, melhor que muita gente, mas não falo isso com arrogância, falo isso porque, eu, na maioria das vezes, me preocupo em ser uma pessoa melhor para mim e para as pessoas que estão perto; me preocupo em servir, em ajudar, em entender, em ser educada e ter respeito pelas pessoas (às vezes consigo e às vezes não), me incomodo com os meus erros, defeitos e o mais difícil: consigo percebê-los e tento corrigí-los, sempre. E quando dou de cara com um filho da puta que não tem o mínimo de nenhum desses itens que citei, o que eu posso pensar é que, nunca, jamais em minha existência eu vou querer me relacionar com um ser desse tipo. Estou falando em hipóteses e tudo nesse assunto em que trato é relativo. Cada caso é um caso. Não me julguem. Pensem a respeito primeiro!
Em “sedução”, me referi a atributos superficiais de uma pessoa como pré-requisitos a me conquistar, foi um texto livre, ameno, para brincar com minha situação atual que não anda das melhores. Mas óbvio que tem que ter muito mais. Quem me conhece sabe que na minha vida prática eu nunca utilizei de superficialidades para valorizar um relacionamento meu, muito pelo contrário. A coisa que mais me encanta no homem é a originalidade, nobreza intelectual e espiritual. Não importa cor, classe, aparência e etc. E foi por eu ser e as pessoas me conhecerem assim, que algumas se chocaram com tudo o que escrevi. De fato, eu sou uma pessoa que uso a lei da boa convivência de coração, sou assim, trabalhei e trabalho diariamente por isso e quero só evoluir. Não vou dizer que minha opinião não vá mudar um dia, mas, agora, estou na fase de dizer não à hipocrisia!

EXAME DE CONSCIÊNCIA

Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?

Mario Quintana - Caderno H

* É por isso que amo o Mario Quintana e sempre vou amar


24 junho 2008

Sedução


Um jeito de tentação
Um corpo roliço e bom
Um cheiro de sedução
Mulher, bonita, gostosa, matreira vai
Zombando do amor dos homens
Que cercam, farejam, devoram
Com olhos a boca de lobo-mau
Malícia no seu andar
Prepara armadilhas mil
Fingindo ser caça é mulher
Bonita cheirosa e debochar
Dos homens que querem todos
Seu jeito, seu tempo, seu corpo
Mas ela não ama com qualquer um
Eu nasci para ter Um amor forte
Sereno, bonito, gostoso
Um homem bom





Em agosto, fará um ano que estou solteira. As pessoas ficam horrorizadas e perguntam: como isto é possível? Você é tão bonita, inteligente, legal, blá blá blá... como ninguém se interessa por vc? (pausa dramática). Respondo: a questão não é que ninguém se interesse por mim, EU é que não me interesso por ninguém!! Muito pelo contrário, tem uma “galera” interessada em mim, o problema é que ninguém me atrai. São pessoas que não tem nada a ver comigo; quando é bonito, é burro; quando não é burro, é feio que dói. Quando não tenho a sorte de ser um burro, feio e chato!
Mas, é claro, que falo essas coisas da boca pra fora, só para ilustrar o porquê de eu não me interessar por ninguém...
Eu ainda teria uma pergunta a me fazer: por que eu só atraio quem eu não quero? Que coisa!
A verdade é que eu gosto de um cara, se não fosse provada a inexistência da perfeição eu acreditaria que ele é o protótipo de algo perfeito. O cara é músico erudito, ator, escritor, poeta, jornalista e ainda, de quebra, é lindo e gente boa! E como não podia deixar de ser, para fechar a “Quadrilha" de Drummond, ele só me vê como amiga! Me diz, como eu posso me interessar por um reles mortal? É foda, eu só me enfio em armadilha.
Agora, é torcer para que alguém do "patamar" dele apareça em minha vida. Torçam por mim ou eu estou fadada a solteirisse eterna!
Preciso fazer um "P.S" aqui urgente. Neste meu texto tosco, esqueci de comentar o principal: eu estou ADORANDO ser solteira, com tudo o que disse, ainda assim, faço como lema o provérbio "Antes só, do que mal acompanhada". E tô curtindo a vida de solteira que, de ruim, tem pouquíssimas coisas!

23 junho 2008

Hoje eu estou cansada.

Peguei pesado nos trabalhos da faculdade.
Cara, quem faz isso de deixar tudo para última hora é besta demais. Agora estou eu aqui, com meus dedos duros de tanto que pressionei o bendito mouse. Inclusive, estou digitando estas palavras sem utilidade, justamente para quee os meus dedos amolecerem, ah! Utilidade. Uau!

Tenho 28 croquis para digitalizar; 5 estampas locais, metro corrido e barrada para criar; release; cartela de cores; cartela de tecidos; cartela de materiais; beneficiamentos para fazer... e tudo isso para entregar em 2 e ½! Deuses do Valhala, me dêem coragem! Coragem, porque não acho nada divertido fazer essas coisas. Mas se eu quero me formar no final deste ano, é isso que tenho que fazer!!!

São esses trabalhos que estão me ajudando a desviar minha atenção um pouquinho do FDP tratante a quem dedico tanto carinho e respeito (hahaha)... ele andou por aqui, andou perto... rondou... vigiou e foi-se... covarde? Não sei. Como disse, estou cansada, não é hora de especular. Vou deixar isso para quando eu estiver de bom humor ou quando meus aspectos planetários forem favoráveis.

E vamos deixar de lero-lero e bora trabalhar!

20 junho 2008

Desencontro

O dia dos namorados nunca significou nada até esse último. Pois esse foi marcado por um acontecimento importante, não sabido ainda de que magnitude. Mas marcou.

Como de costume, Catarina vai navegar na Internet e descobre uma notícia muito interessante, tão interessante que ela esquece até o que ia fazer... Rodrigo, o homem que ela tanto admira e gosta, finalmente irá ao Rio! E daí?

Explicando: ela tem uma relação restrita com ele. Eles se comunicam, raramente, através de mensagens via Internet. Ele é muito generoso e um livro aberto, mas com toda essa generosidade de informações que ele disponibiliza, a relação dos dois, inevitavelmente, era superficial. Ela sempre teve vontade e ir além disso, e dessa vez, foi. Mandou seu telefone juntamente com um convite para ele. Catarina ficou tão nervosa, por causa desse convite e desse sentimento doido que estava corroendo seu tino; era um misto de medo, ansiedade, felicidade, certeza... Naquela noite ela não conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, a primeira coisa que ela faz e correr para o computador em busca de novidade e notícias. E de fato ela recebe uma maravilhosa notícia. Rodrigo responde sua mensagem dizendo que aceitava o convite e que era para ela manter o celular ligado, pois ficaria de quinta-feira até sábado no Rio.

Depois dessa notícia, ela não fez mais nada além de constatar que realmente é muito forte e que não podemos desdenhar nenhuma oportunidade na vida. As horas passaram lentamente, o dia passou... e constantemente olhava o celular para ver se alguém havia ligado. Era noite e nada...

Não havia nada que ela pudesse fazer além de deitar em sua cama e meditar, sonhar, desejar, amar... Não demorou três minutos sequer e o celular toca. Ela vê que é um número de São Paulo e se treme dos pés a cabeça. Do outro lado da linha uma voz de detetive de desenho animado:

– Alô, por favor, o Caco.

– Caco? Esse celular não é de nenhum Caco! – Ela sabia que era ele, e se fez

de desentendida.

Uma gargalhada gostozérrima começa a ser solta:

– Te enganei, Catarinaaaaaaaa [esse Catarina é dito aos gritos alongados].

– Sou eu, Rodrigo! Eu não sou uma farsa. Eu existo! Hahahahaha

– Eu sei que você existe, seu bobo, nunca tive dúvida disso.

Ela riu muito perguntando o porquê da voz super caricata...

– E aí, vamos fazer alguma coisa? – Perguntou Rodrigo entusiasmado.

– Agora? Olha a hora!

– Caramba! É mesmo, nem me liguei na hora. É tarde. Poxa...

– Pois é!

– Fiz tanta coisa hoje, e acabei dormindo quando cheguei e só acordei agora.

Ele conta tudo o que fez durante o dia e suas peripécias.

Eles conversam por mais de 10 minutos e combinam de se encontrar na praia para passearem um pouco enquanto conversam sobre a vida.

Aquele horário era estratégico para ela não conseguir dormir mais. E, de

fato, ela viu o dia amanhecer, intercalando com uns cochilos por causa do cansaço.

Como combinado, no dia seguinte, Catarina liga para saber se ele estava desocupado. O telefone chama, chama e ninguém atende. Uma pulguinha ficou atrás da orelha... ela deixou uma hora passar, mais ou menos, e ligou novamente.

Ele atende:

– Poxa, querida, infelizmente terei que ir trabalhar mais cedo do que

esperava. Que tal se sairmos depois que eu terminar, pode ser?


– Pois é, eu imaginei que não daria tempo. Podemos marcar mais tarde, não

faz mal algum. Marquei de tomar um chope em Botafogo com minha amiga. Como você estará perto, quando terminar, é só me ligar.

– Certo, ou você me liga, tá bom?

–Tudo bem... um beijo e bom trabalho.

A hora que ela havia marcado com a amiga não estava próxima. Mas como Catarina estava muito cansada dessas horas de ansiedade, ela resolveu deitar e descansar, mas não conseguiu. A inquietude tomava conta de sua mente e corpo. Ela tratou de se arrumar logo de uma vez. Colocou uma roupa nova, caprichou no cabelo e foi se encontrar com os amigos.

Chegando lá, conversaram muito sobre Teatro, cinema, TV... Uma das amigas estava com um texto muito legal escrito por sua tia. O papo foi agradabilíssimo, mas a cabeça de Catarina estava longe, aliás, tava bem perto, mas perto que jamais estara, afinal, ele estava pouco mais de cinco quilômetros de distância dela, trabalhando.

As horas foram passando, nenhuma notícia chegava, ela ia ficando nervosa, o frio aumentava. Na verdade, era mais nervosismo que frio. E ela resolveu ligar, pois já havia passado mais de uma hora do horário estipulado por eles para um entrar em contato com o outro. Ela foi até o toalete e ligou. Chamou pouco, atenderam, mas era um amigo dele. Ela perguntou se o Rodrigo poderia atender e o tal amigo disse que no momento ele não podia atender. Ela não conseguia entender nada direito, estava muito barulho nos dois locais. Ela só pediu para que Rodrigo retornasse a ligação assim que possível.

Metade da felicidade de Catarina estava na gaveta. Baixou o astral totalmente, ela já havia tomado umas seis cervejas. Estava com medo de perder o juízo. 40 minutos depois, Rodrigo liga:

– Oi, Cá, você me ligou, né?

– Sim, queria saber se já estava desocupado.

– Terminei agora. Vou ao hotel tirar essa roupa e deixar o equipamento.

– Certo – Disse Catarina descrente.

– A galera está a fim de ir a um bar em Ipanema.

– Ipanema? Poxa, é muito classe A. Você não queria conhecer um boteco legal tipicamente carioca?

– Pois é... eu não sei ainda se quero ir a Ipanema. Vou decidir e ligo de novo para te dar uma satisfação, ok?

– Tudo bem, liga mesmo, porque está ficando tarde.

– Tá bom. Um beijo.

Ela desligou o telefone desconsolada. Visivelmente triste. Os amigos dela não acreditaram que ela tinha sido tão passiva. Eles a convenceram de ligar novamente e dizer algo com mais atitude. Ela, besta, o fez:

– Rô, você não quer que eu vá a seu encontro no hotel? Daí fica mais fácil depois para decidir, né?

– Pô, não vou te tirar daí agora. Vou decidir o que vou fazer e te ligo pra ver como a gente fará pra se encontrar. Não se preocupe.

– Ok, tá bom. Beijo

Catarina teve certeza que noite estava terminada ali. E assim foi. Ainda bebeu muito, mas não conseguiu ficar bêbada e nem queria! A sorte foi que na hora que ela decidiu ir embora, uma Van passou.

No caminho, ela colocou o seu MP4 e ouvindo suas tão amadas músicas, não teve como controlar o choro... Como também não foi possível controlar a frustração e a dor. O sonho estava cada vez mais difícil de ser realizar. Ela tinha poucas horas para que ele acontecesse.

Logo, essa história já contada e recontada em mente, vontade e força, estava prestes a não ter o final esperado. Catarina só se perguntava aonde errara. Por quê? Por quê? Por quê? Mesmo sabendo que tudo tem um porquê, ela sabia que essa consciência ela não poderia ter naquele momento e nem tão cedo, talvez, quando a poeira baixasse.

Ela, finalmente foi dormir, de manhã.

Quando ela acordou, lá pelas tantas da tarde, continuou na cama remoendo sua dor e fazendo os mesmos questionamentos e especulações. Ela ainda estava meio zonza de sono quando o celular toca:

– Olô, Cá?

– Oi

– É o Rodrigo, tudo bem?

– Tudo bem...

– Você está num velório? – Rodrigo perguntou num tom meio sério

– Não, acabei de acordar.

– Hum... desculpe por ontem, houve um desencontro tremendo, eu fiquei sem telefone, acabou que o pessoal foi mesmo para Ipanema e eu não dormi no hotel, acabei de chegar aqui.

Catarina não pensou em fazer nenhuma pergunta, ela só não queria mais perder nenhuma oportunidade de encontrá-lo.

– Você dormiu na casa de sua amiga?

– Não, voltei pra casa.

– Hum... que pena que você mora longe, eu vou ficar passeando por aqui no calçadão até dar a hora de ir para o aeroporto.
Ingênua ela pergunta:

– Como que eu vou te encontrar com você caminhando?

– Ah, até você chegar ficará tarde...

– É perto! ­– Retrucou querendo salvar a chance de vê-lo

– Ah, eu sei, mas é melhor deixar para outro dia. Eu volto aqui semana que vem e a gente se encontra com certeza. Depois, eu terei que ir para o aeroporto daqui a pouco, não vai adiantar muito.

– Ok, tudo bem. Tenha uma boa viagem e até aproxima.

– Obrigada! Um beijo, querida.

Pronto! Depois dessa conversa reticente, não havia mais nada que ela pudesse fazer. A pressão caiu e ela sentiu o chão como se fosse de borracha. Não sabia mais raciocinar. Ficou inerte por minutos. Até que ela resolveu parar. Parou de achar, de pensar, de tudo.

No final da noite, ela foi colhendo informações e fatos foram surgindo e cada um era uma peça para formar o quebra-cabeça. Ela, inclusive, descobriu o verdadeiro porquê de ele não ter ido a seu encontro. Nada grave, mas não vale comentar.

O pior, foi que depois de um dia do ocorrido, mais ou menos, ela tentou fingir que estava tudo bem mandando uma mensagem amigável. Não obteve resposta, isso ia desanimando o seu dia-a-dia... tentou mais um contato e mais uma vez foi ignorada.

Dessa vez não há um final feliz, pois ainda não houve final. Agora, essa é a sua única certeza.

Esta lua ainda me tira o juízo...



O pouco que ainda me resta fica ameaçado toda vez que vejo essa lua louca surgindo no horizonte ou se pondo no mesmo. Toda vez que posso parar para fitá-la em sua fase plena é como se ela me emprestasse ou até mesmo doasse um pouco de sua magia. Um pouco de sua sedução e inteligência.

Sinto-me mais forte, mais confiante. Mais mulher.

Ela me faz refletir. Nessa reflexão, que deveria ter o efeito de centralizar, ela causa o contrário; ela causa rebuliço em mim, ela faz com que eu pare de racionalizar a vida e “apenas” viva! Coisas boas estão prestes a acontecer a todo o momento, a diferença é você saber deixar que elas aconteçam.

Obrigada, majestosa lua, por me ajudar a desatinar.



"São demais os perigos dessa vida

Para quem tem paixão, principalmente

Quando uma lua surge de repente

E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado

Vem unir-se uma música qualquer

Aí então é preciso ter cuidado

Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música,

Luar e sentimento, e que a vida

Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:

Tão linda que só espalha sofrimento,

Tão cheia de pudor que vive nua."

Vinicius de Moraes


Música: Yamato Ensemble - Yamaji
Gotan Project - Santa Maria

17 junho 2008

Por um triz

O conto, por um triz, não se tornou realidade. Desejos... Realizações...

Em vez de ser em um mercado, quase foi numa praia, como tinha de ser. A quantidade de dias, o motivo da vinda, o telefonema que aconteceu antes do encontro, as risadas, a ansiedade incontrolável, as noites mal-dormidas... não houve vinho, nem bar, nem conversa agradável, nem frio, muito menos calor dos lábios. Havia esperança, crença, vontade.

Mas, de repente, as vozes caricatas e as piadinhas ao telefone e toda a atenção dedicada, se transformou em acaso. Algo difícil de racionalizar, difícil de acreditar e de digerir.

Um rio que corria com toda força foi esvaindo, as pedras foram aparecendo e dificultando o fluxo, até que os filetes d’água foram quase todos absorvidos pela terra do desespero.

E com a mesma rapidez que o rio quase secou... haverá uma chuva torrencial para fazer com que ele encha e corra forte, novamente. E as pedras que antes eram empecilho, não passarão de uma ferramenta para tornar a cascata de água mais bonita. A história não acabou, sei que ainda terá muitos capítulos, e bons!

Boa Hora

Olha só quem vem aí Antes de chegar o dia Pensamento vem e trás Quem partiu e não devia Quem te disse que era hora de partir Hora boa é sempre hora de voltar De partir é sempre hora vem pra cá Já perdi noção da hora de esperar Levou meu coração e botou dentro da mala Pesou na sua mão e sobrou na sua sala Já perdi toda alegria E perdi noção da hora Você disse que viria E eu digo que demora

16 junho 2008

Encontro Marcado


Catarina estava na fila de um supermercado que ela não costumava ir, mas ela precisava comprar algumas coisinhas com urgência para ir à casa de sua irmã e aquele era o mais próximo que havia encontrado.

De repente, ela sentiu alguém tocar-lhe o ombro:

– Catarina?

– Rodrigo! – Levou um susto por ver quem estava lhe chamando – Não acredito que é você!

Ele apenas sorriu.

– Como você me reconheceu? – Perguntou Catarina muito surpresa

– Por causa dessas suas características físicas inconfundíveis – Rodrigo apontou para o rosto e ombro de Catarina.

Catarina sorriu e ficou envergonhada.

– Eu sempre imaginei te encontrar, mas não de uma forma tão inusitada. E, na verdade, quem me encontrou foi você! – Disse Catarina sorrindo.

Os dois riram muito e trocaram outras poucas palavras.

– Catarina, me dá o seu número do celular. Ficarei no Rio por dois dias e adoraria tomar um chope contigo em algum lugar legal da cidade para conversarmos mais. Você topa? Agora estou com um pouco de pressa.

– Sim, claro! – Catarina Respondeu rapidamente.

No espaço de tempo dessas duas curtas palavras, milhões de pensamentos atravessaram seus neurônios, ela sentiu-se até um pouco tonta. Pensou nas roupas que tinha no armário, que lugar eles poderiam ir, tentou lembrar se tinha algum outro compromisso. E, principalmente, se perguntou: “por que será que ele se interessou em sair comigo, se a gente só se conhece através do mundo virtual?”

Eles se despediram ali mesmo. Ela percebeu que Rodrigo ficou também sem jeito em dar tchau.

O dia inteiro Catarina passou nas nuvens, não conseguindo prestar atenção em nada que lhe acontecia, somente na incrível ocasião. Ela tinha um segredo em relação a essa “coincidência”, mas ela queria pensar muito sobre o assunto, porque, além de ela não conseguir assimilar, ela não entendia que poder era esse que ela tinha.

No dia seguinte, Rodrigo ligou para ela. Catarina vê o número e já percebe que não conseguiria ser natural para atender o celular:

– Alô – uma voz trêmula e ao mesmo tempo o mais sexy que pôde.

– Catarina, é o Rodrigo, tudo bem?

– Tudo bem e você?

– Estou ótimo! Melhor agora – Ela pensou que era uma resposta muito brega, poderia ter ficado sem essa, mas ele podia, afinal, era o Rodrigo.

– Então, estou ligando pra saber se podemos nos encontrar hoje, mais tarde.

– Ah, sim, claro. Estava contando que fosse me ligar hoje mesmo.

– O que você acha daquela choperia nova que abriu na lapa?

– Sim! Já fui lá e é bem legal.

Eles combinaram o horário que não era muito mais tarde que aquele exato momento.

Catarina que não era boba, já tinha separado a melhor roupa “casual” que ela tinha no armário e foi só o tempo de ela tomar um bom banho, se maquiar e dar um jeitinho no cabelo. Estava ela pronta!

A caminho do lugar marcado, ela pensava no que queria falar para ele, inclusive, se dizia ou não, aquela história que martelava sua cabeça. Pensou em ser o mais natural possível e pensou que se ela pensar em ser natural, já não era ser nada natural. Ficou muito confusa e nervosa.

Ela chegou à choperia e ele já estava lá com mais dois amigos. Desde o início ela sabia que não era um encontro romântico.

Ela sentou-se sem jeito. Rodrigo a apresentou para os seus amigos de trabalho e em pouco tempo ela já estava relaxada.

Naquela mesa de bar, rolava todo tipo de assunto. Todo mundo com um alto nível intelectual, lançando questões interessantes e sabendo bem desenvolvê-las. Tudo foi muito agradável.

Era uma noite fria, mas o clima estava seco e com certeza não iria chover. O vinho estava delicioso e aquecendo até a alma. Catarina e Rodrigo estavam bem próximos, eles podiam sentir o hálito um do outro. Não demorou muito para surgir a conversa paralela:

– Eu custei a acreditar que era você quem estava na minha frente no supermercado – disse Catarina.

– Mas você sabe que eu gosto de ser assim.

– Assim como?

– Uma surpresa – Disse Rodrigo gargalhando

– É, você foi a melhor surpresa que eu poderia ter. Primeiro, pelo fato de ter sido inusitado e segundo, porque eu não imaginava que você tinha na memória a minha fisionomia.

– Pois é, Catarina... logo quando te conheci, você me chamou a atenção. Vi que se destacava. Não por ser bonita ou qualquer coisa do tipo, sim, você de fato é bonita, mas o que me chamou a atenção mesmo, foi o jeito como você se comunicava comigo; não se repetia e tecia comentários que eu achava interessantes. Sem falar que você tem um jeito doce e bem irreverente.

– Nossa, Rodrigo, você percebeu tudo isso em mim? Fico imensamente feliz.

– Então, quando te vi naquele supermercado, não tive dúvida de que ia lá falar contigo naquela fila e te dar, pelo menos, um beijo como forma de retribuição a todo carinho que você sempre demonstrou por mim nesse tempo que me conhece, que não é longo, mas suficiente para fatos importantes acontecerem e eu te perceber sempre ao meu lado.

Catarina estava radiante de felicidade e pensava em contar tudo para ele, mas não sabia se devia e ao mesmo tempo, achava que esconder aquela história interessante dele, seria, no mínimo, desonesto. Então ela tomou fôlego e resolveu contar:

– Rodrigo, você acredita em acaso?

– Não, não acredito. Não é que eu ache que tudo seja metricamente pensado, mas tem certas coisas que acontecem conosco, tão incríveis, que não tem como achar que foi obra de um acaso muito fantástico.

– Pois é, Rodrigo, concordo contigo. E você acha que estarmos aqui, nesse momento, é obra do acaso?

– Não, acho que não é. Acho que tudo isso está acontecendo, porque eu e você tínhamos mesmo que nos conhecer melhor.

– E se eu te disser que eu programei praticamente tudo o que estamos vivendo agora. Você acreditaria?

– Como assim programou? Acreditaria, mas me explica isso.

Ele gaguejou, se aproximou ainda mais e olhou fixamente para ela, muito interessado na história que estava por vir:

– Há algum tempo eu te conheci através da internet e tv, como bem sabe. Não sei dizer precisamente quanto tempo, mas tempo suficiente para nutrir uma admiração por você muito grande. Se bem que eu não precisaria desse tempo, porque a admiração que eu tive, e tenho, foi instantânea. Eu acompanhei a sua vida como se fosse um familiar meu; torcia por você, vibrava com suas conquistas, ria dos seus micos, ficava com vontade de te abraçar quando estava triste. Às vezes eu conseguia te escrever para dizer algumas coisas, outras vezes não. De certa forma me sentia próxima. Por vezes pensava que você tinha a mesma impressão de ser próximo de mim e outras, achava que você nem lembrava da minha existência...

– Mas pode ter certeza, Catarina, que sua energia chegava até mim.

Catarina sorriu e continuou:

– Mas o fato é que em dia muito frio, como este de hoje, eu deitei em minha cama depois de ter ficado triste contigo, não lembro mais o porquê da tristeza. Deitada, comecei a pensar em um encontro nosso. Naturalmente e sem interromper meu pensamento um só segundo, teci uma história em minha cabeça. Ponto a ponto. Imaginei exatamente tudo o que aconteceu conosco, desde o modo como você me abordou, até agora com essa conversa. Confesso que não tinha pensado que seria no supermercado, imaginei uma praia, foi isso. Mas de resto, tudo o que fizemos e, talvez, vamos fazer ainda, já esteve em minha mente.

Nessa noite a que me refiro, eu não consegui dormir, tinha tanta crença naqueles pensamentos, que me sentia eufórica, mas ao mesmo tempo, estava torcendo para que tudo o que eu acabara de imaginar, caísse logo no esquecimento, para que eu não desse lugar à ansiedade, que é muito prejudicial para qualquer coisa. Naquela noite ainda, eu sentei na frente do computador e transcrevi todo o meu pensamento para as páginas de Word. Depois reli o texto em alguns lugares e lembrava com carinho daqueles momentos. E depois, como eu queria, acabei esquecendo. E aqui estamos agora.

Rodrigo estava completamente entretido no que ela falava e com uma cara muito surpresa.

– Rodrigo, você entende que isso não tem nada a ver com magia, macumba ou qualquer coisa do tipo, não é? – Atentou Catarina – Tudo o que aconteceu foi fruto de uma força, ainda muito desconhecida por mim.

– Imagina, Catarina, entendo muito bem isso o que aconteceu e acredito em você! Porque já me surpreendi também com a força do meu pensamento.

Você sabe que eu apanhei muito na vida, me senti muito humilhado e triste com minha profissão até chegar aqui. E nos momentos que me sentia fraco, eu atropelava todos os maus pensamentos e os substituía por pensamentos de sucesso. Todo o sucesso que almejava e que, de fato, agora vivo.

– Eu sei disso, gentil Rodrigo. Sempre admirei muito essa sua força.

– Continuo sendo o mesmo homem de antes, mas, com certeza, sou muito mais reconhecido e respeitado.

– É por isso que não tive medo de te contar tudo, quer dizer, tive um pouco, mas não por você não acreditar em mim, mas por dúvida se era mesmo necessário eu te contar essa minha história, e que agora, de uma jeito ou de outro, também é sua.

– Depois de ouvir essa história, eu fico ainda mais feliz por ter te encontrado e estar agora com você. Está tudo tão agradável, que parece que estamos só nós dois aqui. Uma pena que amanhã cedo eu vou embora. Mas você sabe que eu estou sempre por aqui, e depois de hoje, com certeza vou querer te encontrar para termos outros papos legais e interessantes como esse.

– É uma pena mesmo, vou sentir sua falta, Rodrigo, eu sei que você é especial, te digo isso sem clichê. Nunca conheci alguém tão gentil e cortês

– Catarina, você, a partir de agora, já me é muito mais que especial.

Os Hálitos foram sentidos cada vez mais perto e aquecido. Aquela noite foi mesmo inesquecível para os dois.

Na noite do dia seguinte, o celular de Catarina toca. Era Rodrigo:

– Ligo para dizer que estou pensando em você e que seu cheiro ficou em mim. Um beijo grande e até breve.

– Um beijo enorme e até breve – Catarina responde sem mais.

Ela ouviu as palavras de Rodrigo, suspirou, fechou os olhos e gravou aquele momento em sua memória e em seu coração.

P.S. Este texto está aqui no Chá, porque me é muito especial. Ele originalmente foi postado no Condado dos Sonhadores, dia 03 de junho de 2008.

Lovefool / Esquece e Vai Sorrir

Lovefool

Dear, I fear we're facing a problem
You love me no longer, I know
And maybe there is nothing
That I can do to make you do
Mamma tells me I shouldn't bother
That I ought to stick to another man
A man that surely deserves me
But I think you do!

So I cry, and I pray, and I beg...

Love me, love me,
Say that you love me
Fool me, fool me,
Go on and fool me
Love me, love me,
Pretend that you love me
Leave me, leave me,
Just say that you need me

So I cry and I beg for you to...

Love me, love me,
Say that you love me
Leave me, leave me,
Just say that you need me
I can't care about anything but you...

Lately I have desperately pondered,
Spent my nights awake and I wonder
What I could have done in another way
To make you stay
Reason will not lead to solution
I will end up lost in confusion
I don't care if you really care
As long as you don't go

So I cry I pray and I beg...

Love me, love me,
Say that you love me
Fool me, fool me,
Go on and fool me
Love me, love me,
Pretend that you love me
Leave me, leave me,
Just say that you need me

So I cry and I beg for you to...

Love me, love me,
Say that you love me
Fool me, fool me,
Go on and fool me
Love me, love me,
Pretend that you love me
Leave me, leave me,
Just say that you need me
I can't care about anything but you...

Anything but you...

Love me, love me say that you love me
Fool me fool me,
Go on and fool me
Love me, love me
I know that you need me
I can't care about anything but you...

*Estava pensando na vida ouvindo essa música e achei graça, porque veio muito a calhar.

Sempre gostei dela, desde a época de Romeu e Julieta, mas acho que nunca encaixou tão bem quanto agora.

Que coisa!


Esquece e Vai Sorrir

Deixa eu te provar toda a mágica
E modificar essa história
Pois se eu não consigo ser
Simplesmente um bom amigo
É porque nem mal amigo eu posso ser
Deixa eu te provar: não há lógica
Negligenciar toda a tática
E calar, pro nosso bem,
Tudo aquilo que convém dizer
Quando eu entregar as flores pra você
Vai passar
E você nem vai lembrar
Vai passar, tudo passa
Vai passar, pense em mim quando acabar
Vai passar, tudo passa
Deixa eu te provar
Uma lágrima
Pode derramar da memória
E trazer consigo as dores
De quem teve amores como eu
E não foi capaz de compreender
O que aconteceu
Vai passar
Tudo um dia há de acabar
Vai passar, tudo passa
Vai passar, e enfim pra terminar
Vai sorrir e achar graça
Vai sorrir
E achar graça

*Essa música mostra exatamente tudo o que sinto e o que quero.

Quero que ele deixe que eu mostre toda a mágica e tática, apesar de não ter lógica. Quero que ele receba essas flores o mais rápido possível e que ele sorria, junto comigo.

15 junho 2008

Criar expectativa é a pior coisa que se pode fazer!


Coisas deslumbrantes ameaçam acontecer, cria-se expectativas mirabolantes. Tudo indica que dará certo e é por puro mérito seu. Mas, como num passe de mágica, percebe-se que aquilo que, a princípio, seria infalível, é a coisa mais falida do mundo. O próximo passo é a frustração e a sensação de derrota. Começa-se a especular como e onde você errou....

Coisas óbvias, que camufladas pela euforia do momento, começam a martelar sua mente: você não deveria contar seus planos para qualquer um... não deveria fantasiar com a história em questão.... deveria saber controlar a ansiedade.... Esses pensamentos são um martírio. É foda, não tem como não ficar triste.

E dessa vez eu aprendi mais uma lição. Aprendi que a certeza de que foi vitoriosa, que nada pode mais dar errado, perder a humildade, contar vantagem e se achar imbatível é uma grandessíssima prova de burrice. A serenidade tem que estar presente até depois do fim da caminhada (que não tem fim) e só assim, se congratular, mas nunca, de jeito nenhum, perder a humildade e o foco.
Ah, mas não acabou. A esperança é algo que se deve cultivar! Antes que essa obsessão comece a tomar conta da minha sanidade....Vou meditar....

Preparando o Chá

Protelei, protelei... e a cá estou!

Esse será o meu refúgio, meu chá calmante e não farei nenhuma questão de que o leiam. Até porque, tendo isso em mente, ficará mais fácil desenvolver minhas idéias e ser eu mesma.

Um ser muito sábio que conheci, disse uma vez que eu sou o tipo de pessoa que mesmo na Sapucaí, com aquela batucada e todo mundo sambando e cantando, eu escolho um cantinho para me esconder e levantar os meus dedinhos para que ninguém me observe. É claro que isso não se aplica a todas as áreas da minha vida, mas boa parte dela.

Eu sou realmente uma sonhadora. Tenho muitos. Esses meus sonhos, muitas vezes se tornam realidade e tenho um poder muito forte de conseguir tudo o que eu quero. O problema, é que eu só quero coisas que, aparentemente, o Grande Arquiteto não quer para mim, então, no meio do caminho, as coisas tomam um rumo completamente inesperado. Inevitável não balançar e zuretar, mas...depois fico tentando me entender e aprender a treinar a minha paciência, para ser coerente com tudo o que acredito. Estou aprendendo.

Que eu consiga com este Blog, pelo menos, ser útil para mim mesma.