
Depois deste fatídico desencontro entre Catarina e Rodrigo, as coisas ficaram inertes, não houve atitude, ação, reação. Tudo suspenso no ar, as coisas meio embaçadas tal como nos sonhos loucos. Houve desejo, sim, desejo... isso não falta nunca por parte da Catarina. Ela sem saber como, continuou ...
Como já havia citado, ela tentou entrar em contato mais duas vezes para tentar mudar uma sensação estranha no ar. Mas ele, como não era esperado, ignorou o contato. Semanas se passaram e o constrangimento, ainda não sabido exatamente porque, foi sendo tomando por outras preocupações do dia-a-dia prático de Catarina. Ela estava achando ótimo, pois era menos doloroso não ter tempo para especular uma possível rejeição. Mas é claro que na hora de dormir, Catarina sofria e as horas demoravam a passar; o sono era a coisa mais distante que chegava a seu cérebro. Ela imaginava de tudo; tinha horas otimistas, outras realista e até nessa hora ela não conseguia deixar o sonho de lado. E como de costume, imaginou um futuro próximo. Ela chegou a mandar mais uma mensagem super séria e verdadeira, não que as outras não tenham sido, mas essa, em especial, era muito importante pata ela. Entre outras coisas, na mensagem, Catarina perguntava por que ele estava tão sumido, e que não era para ele esquecer que ele tem uma amiga que ansiava por notícias.
As horas passaram, ela viu que Rodrigo leu as mensagens... ela esperava uma reação, mas não teve, apesar de ele não as ter apagado. Na manhã seguinte, Cataria teve a informação de que ele estava de volta ao Rio. Catarina não perdeu tempo, por via das dúvidas, mandou outra mensagem com o número do seu celular (que ele já tinha). Agora eram três mensagens. Mais tarde, no mesmo dia, Cantarina viu que a sua mensagem super sincera com pedido de notícias, havia sido apagado. Ela se perguntou por que ele não apagara a mensagem logo que leu e deixou o tempo passar. Será que ele estava com a intenção de responder e depois mudou de idéia? Mas o número do celular dela ainda estava lá. Foi aí que ela teve certeza de que ele ia entrar em contato. Quando foi de noite, ela vê que um número com o DDD diferente estava chamando no celular dela, mas ela já sabia que era ele e sem rodeios:
– Cá, minha querida. Pardon!
Um sorriso do tamanho do mundo abriu-se no rosto de Catarina
– Pardon? Por quê? Fizeste algo errado? – Em um tom irônico muito charmoso.
– Sim, eu sumi! Foi sem querer, vi as suas mensagens, mas não havia jeito de eu conseguir tempo para respondê-las. Sinto muito, mas eu tenho trabalhado loucamente por esses dias.
– Imagino, mas, poxa, eu fiquei preocupada, tantas coisas passaram pela minha cabeça, especulei tanto.
– Ah, não queria que isso tivesse acontecido. Desculpe mais uma vez, e estou te ligando para me redimir!
– Redimir? Hum...
– O que será que eu posso fazer? Deixa eu pensar... te chamar para uma conversa pessoalmente em um lugar agradável, seria uma boa redenção?
– Hahahahahaha. Sim, sim, seria... – Ela respondeu com um quê de desdém.
Eles combinaram um lugar perto para os dois, naquele mesmo dia. Como ele estava no centro, escolheram um bar legal na Cinelâdia.
Quando Catarina chegou ao bar, ele estava sozinho, aliás tinha uma mulher falando em pé com ele, provavelmente alguém que conhece e gosta do trabalho do Rodrigo. Ele foi logo apresentando a tal mulher em pé: esta é Catarina, a minha namorada carioca. A tal sorriu e logo se foi.
Eu sou a namorada carioca? Quer dizer que você tem uma namorada em cada estado? Ou seria em cada cidade??
Os dois caíram na gargalhada.
– Tudo bem, vou tomar como uma elogio.
– E é um elogio.
Ele estava bebendo um chope e ela o acompanhou.
– Quem vê você assim, não imagina que seja introspectivo como andei lendo em entrevistas que você deu por aí.
– Ah, Catarina. Eu sou. Com todo esse assédio, e relativo sucesso, eu gosto mesmo e de manter minha mente quieta. Gosto dos meus momentos de introspecção com meu violão, ou com minha escrita. Acho que isso faz com que eu me torne uma pessoa melhor.
– E eu concordo plenamente. Acho que as pessoas que não sabem ficar a sós consigo mesmas, não sabem efetivamente sobre nada o que acontece em volta, em sua volta. Quando não há o mínimo de entendimento claro sobre você mesmo, tampouco haverá do resto.
– Então, é isso que acho que me mantém reto. Me mantém no foco.
Eles conversam sobre coisas amenas do dia-a-dia e também sobre coisas mais profundas. Coisas particulares, desejos, vontades, angústias...
– Catarina, aqui é um lugar bem legal tem um clima muito agradável, não é?
– É, gosto muito daqui...
–Mas não é melhor que o silêncio de uma varanda. Uma varanda específica, que quero te levar agora. Sim?
– Sim! – Respondeu depois de um sorriso acanhado.
E assim foram.
Naquela varanda, dava para ver o céu. Aquela noite era esplendorosa, a lua estava nova; na cidade, as luzes estavam brandas e com isso, as estrelas ficavam ofuscantes. Algumas histórias eram contadas sob aquele cenário celestial, havia um romantismo atípico no ar, algo singelo e fresco. Havia amizade, complacência, entendimento. Alegria e amor, amor entre humanos, amor entre semelhantes, amor desprendido.
Aquela noite foi permeada por carícias, sorrisos, risadas, beijos, amor. E tudo tinha que acontecer antes do amanhecer, pois a realidade chagava junto com ele.

eita!desse final eu gostei
ResponderExcluir;)
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Lindo! Inspirador e bem simples! Você é demais Camila! Te admiro muito!
ResponderExcluirNo trecho "...Mas é claro que na hora de dormir, Catarina sofria e as horas demoravam a passar; o sono era a coisa mais distante que chegava a seu cérebro." me veio na hora um trecho de uma música do Ludov (Dorme em paz) acredita?
Beijos Camila e pode ter certeza que agora meu dia tá melhor!
minha história ficou grande...mas a sugestão da cartomante ainda está em aberto!rsrs...
ResponderExcluirbeijos lindaa!
=)
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